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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Mergulha nos sonhos, de E.E. Cummings

mergulha nos sonhos
ou um lema pode ser teu aluimento
(as árvores são as suas raízes
e o vento é o vento)

confia no teu coração
se os mares se incendeiam
(e vive pelo amor
embora as estrelas para trás andem)

honra o passado
mas acolhe o futuro
(e esgota no bailado
deste casamento a tua morte)

não te importes com o mundo
com quem faz a paz e a guerra
(pois deus gosta de raparigas
e do amanhã e da terra)

Inocência, de Miguel Torga

Vou aqui como um anjo, e carregado
De crimes!
Com asas de poeta voa-se no céu...
De tudo me redimes,
Penitência
De ser artista!
Nada sei,
Nada valho,
Nada faço,
E abre-se em mim a força deste abraço
Que abarca o mundo!

Tudo amo, admiro e compreendo.
Sou como um sol fecundo
Que adoça e doira, tendo
Calor apenas.
Puro,
Divino
E humano como os outros meus irmãos,
Caminho nesta ingénua confiança
De criança
Que faz milagres a bater as mãos.

Liberdade, de Miguel Torga

— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.  

Quem sonha mais?, de Alexander Search

Quem sonha mais, vais-me dizer —
Aquele que vê o mundo acertado
Ou o que em sonhos se foi perder?

O que é verdadeiro? O que mais será —
A mentira que há na realidade
Ou a mentira que em sonhos está?

Quem está da verdade mais distanciado —
Aquele que em sombra vê a verdade
Ou o que vê o sonho iluminado?

A pessoa que é um bom conviva, ou esta?
A que se sente um estranho na festa?

Independência, de Jorge de Sena

Recuso-me a aceitar o que me derem.
Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem
e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar lúcido ou comprado
e a estar sozinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.

Recuso-me à inocência e ao pecado
como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Atitude, de Cecília Meireles

Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.

Abdicação, de Fernando Pessoa

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho. 
                   Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços. 
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços 
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria. 
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Lisbon Revisited, de Álvaro de Campos

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos meus deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fôsse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sòzinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sòzinho.
Já disse que sou sòzinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tada o Abismo e o Silêncio quero estar sòzinho!

O Corvo, de Edgar Allan Poe

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
     É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
     Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo:
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
     É só isto, e nada mais."

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, de certo me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo
Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
     Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
     Isto só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
     É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um Corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nenhum momento,
Mas com ar sereno e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
     Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho Corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
     Disse o Corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
     Com o nome "Nunca mais".

Mas o Corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento,
Perdido murmurei lento. "Amigos, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais."
     Disse o Corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas suas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entorno da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
     Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
      Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
      Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
      Disse o Corvo, "nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! -
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!"
      Disse o Corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! -
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida, se no Éden de outra vida,
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
      Disse o Corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
      Disse o Corvo, "Nunca mais".

E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda,
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais.
E a minh'alma dessa sombra que no chão há de mais e mais,
      Libertar-se-á... nunca mais!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ela Caminha em Beleza, de Lord Byron

Ela anda na beleza, igual à noite
De tempos sem nuvens e céus estrelados
E tudo isto é o melhor da escuridão e da claridade
Encontre-a seus aspecto e olhos
Assim admirado por aquela luz quente
No qual o céu???? Recusa
Uma sombra a mais, um raio a menos
Tido meio deficiente o sem nome graciosidade
Que ondas em todos corvo madeixa
Ou suavemente clareia o seu rosto
Onde idéias serenamente doce expressa
Quão puro , quão caro o seu habitando

E nessa bochecha , e acima de essa sobrancelha
Tão macio , tão calmo , ainda eloqüente
Os sorrisos que ganhamos , as matizes desse brilho
Mas falar de dias de bondade usufruídos
Uma mente em paz com todos abaixo
Um coração cujo amar é inocente!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O isolamento

Hoje em dia as pessoas preferem o isolamento ao colectivismo. Para muitos é preferível ficar em casa num sábado à noite a ver televisão do que ir para um bar ou uma discoteca com amigos. “Para quê ir sair quando posso ter e fazer praticamente tudo na comodidade do meu lar?” é a mentalidade da maior parte das pessoas actualmente.
Desde que surgiram as novas tecnologias que nos permitem fazer praticamente tudo através da nossa própria casa, as pessoas deixaram de frequentar espaços públicos e colectividades para passar a desfrutar de tudo na comodidade do seu próprio lar. Outra das causas deste isolamento é a evolução do ser humano – evolução esta que trouxe o capitalismo e a competitividade para além do isolamento.
É a própria mentalidade e cultura de cada um de nós que nos leva ao isolamento - “para quê ir sair com os amigos se tenho o computador e o telemóvel para falar com eles?”; “se posso tirar e ver filmes na internet, no quentinho da minha casa, para quê ir ao cinema pagar para os ver?”; “porquê ir ao estádio ver o jogo se o posso ver na Sport TV?” são algumas das mentalidades que nos levaram ao isolamento e falta de convivência.
Há apenas uma conclusão: à medida que as tecnologias evoluem o isolamento aumenta, o colectivismo desaparece e o sentido da palavra “Humanidade” desvanece.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Como ?

Como é que alguém que nunca se apaixonou pode sequer escrever um historia de amor ? Esse é o meu actual dilema.

Amo a escrita, a dança, a música e todas as formas de arte nas quais nos podemos exprimir mais do que a minha própria vida por isso procuro usar a minha pouca criatividade na criação de algo… mas o que será esse algo que tanto procuro?
Supostamente tenho talento para a escrita , mas porque é que nos poucos momentos que tenho para escrever nada me sai?
Quero deixar uma marca no mundo antes de partir e eu sei bem que sou nova mas por este andar vou partir da mesma maneira que aqui cheguei: sem ser objecto de importância e sem ter um “lugar” definido neste mundo de supostas oportunidades.
Por isso pergunto: como se escreve um romance, uma historia de amor, uma ficção ou um conto de terror quando nunca passamos por essas experiências? Como pode alguém ter tanta criatividade dentro de si mesma ao ponto de criar maravilhosos livros vezes e vezes sem conta e eu, eu que amo a escrita, que amo passar horas a ler e a viver completamente dentro das historias maravilhosas que leio, não consigo que me saiam as palavras que tanto quero?
Como posso imaginar as melhores historias e, quando tento pô-las em papel, estas fogem-me das mãos como os grãos de areia na praia?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Cartas ao mar

Sento-me debaixo daquele maravilhoso luar, no baloiço da varanda com uma manta sobre as pernas, um copo de água na mesa, um diário em branco e a caneta do Vô.
Tento escrever mas nada saí. Sinto-me bloqueada, frustrada e deprimida por não conseguir escrever. Onde se encontrava o suposto talento que corria nas minhas veias ? Onde estava o meu traço de escritora? Onde estava a minha criatividade ? Tudo desaparecera no dia em que ele me deixara… O meu talento, a minha felicidade, o meu sorriso, as nossas estrelas e a nossa tão maravilhosa Lua desapareceram no dia em que a lágrima caiu e o mundo desabou à minha volta.
“Morri no dia em que tudo começou.”escrevi. Parei e observei a nossa Lua.
“No dia em que te conheci foi o dia em que o mundo parou de se mover.”recomecei…
Pouco a pouco, escrevi a primeira carta. A tua primeira carta.
Quando a acabei as lágrimas escorriam e os soluços tornavam-se cada vez maiores. Sentia-me desesperada e desamparada no mundo sem a tua presença e apetecia-me morrer cada vez que pensava nos nossos momentos de pura felicidade.

- Margarida, oh Margarida? Onde estás, minha filha ? - ouvia minha mãe chamar, mas não me conseguia mover nem sequer conseguia falar. As lágrimas não paravam e eu não conseguia sequer respirar.
- Mar , o que se passa ? Por que choras minha filha ? Oh meu Deus, o que se passa, querida ?
- Mãe… Oh mãe! Minha mãe, eu quero… não ! Eu preciso tanto! Oh se preciso ! Preciso tanto dele ! Ele faz-me tanta falta! Mãe… - as lágrimas não paravam e o ar teimava em ficar preso na garganta, não me deixando respirar.
- Minha filha tem calma , vá ! Anda, vem te deitar. Eu hoje deito-me a teu lado. Vá, respira, querida.
- Espera - respirei fundo - primeiro quero fazer algo.
Fui buscar uma garrafa de vidro na qual coloquei a tua carta. Entrei pelo mar. Parei para sentir a brisa e respirar um pouco aquele ar que me cheirava ao meu tão querido Príncipe. Desejei às estrelas que lesses a carta e pedi à nossa Lua que respondesses, de alguma forma, de alguma maneira. Ganhei força e coragem e atirei a primeira de muitas cartas ao nosso Mar.



“De alguma forma, de alguma maneira estaremos juntos para sempre. Em espírito e em memórias pertencemos um ao outro.”

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sem nome

Ali jazo, debaixo do luar.
Meia viva, quase morta
Ouvindo os sons do mar.

Os ondas batem, meu coração não
E a saudade permanece
Dentro do meu coração.

Sussurro, levemente:
“Não vás, não vás”
E as ondas trazem novamente
as recordações tanto boas como más!

Debaixo da Lua, sinto a areia
e recordo-me das tuas promessas vãs.
Com o brilho incandescente da lua cheia,
o tempo quase parece voltar atrás.

Mas agora o vento sopra com revolta!
Com aquele único pensamento na mente
“Volta, volta!”
O meu destino cumpre-se finalmente.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Angel


Sinto-me adormecida...

Olho em volta da sala.

A sala está repleta e no entanto nunca me senti tão sozinha. Apetece-me chorar desalmadamente e gritar sem fim mas a voz não saí e sou invisivel perante eles.

Ignorada, rejeitada, é assim que me sinto.

Olho para todos aqueles rostos angelicais, todos eles atentos naquela janela. Pergunto-me o que se passará lá fora...

Avanço para a janela e de repente sinto-me a cair profundamente num abismo.

Tic, Tac, Tic, Tac, o tempo passa e eu continuo a cair num precepicio sem fim …


Acordo sobressaltada e olho em volta. Não sei onde estou, não sei o que faço aqui nem sei quem sou. Sinto-me completamente perdida naquele lugar demasiado reluzente. Não, não era a minha casa!Era somente uma versão banal do meu Céu.

Sinto uma lágrima a escorrer pela minha face.

Uma lágrima preta devido ao rímel, pressupus. Mas as lágrimas continuam a cair e de pretas passam a azuis, rosa, verdes, roxas...até se tornarem completamente vermelhas ao tocar naquele chão demasiado branco.

Lágrima após lágrima o chão vai-se transformando lentamente numa poça de sangue.

Um pequeno barulho capta a minha atenção, assustando-me. Olho à volta para tentar perceber o que se passa e vejo-te.


Vejo-te especado a olhar para mim com toda a tua perfeição. Majestoso como um principe, completamente vestido de preto, como é usual, com os teus olhos doces a chamarem por mim.

-Vem, eu estou aqui para ti. - Me dizes – Vem, eu protejo-te.


Todo o meu corpo te desejava. Senti-me a abandonar o chão e a levantar-me lentamente, enquanto que os meus joelhos tremiam de receio e os meus lábios de desejo.

Toda eu te desejava completamente. Sentia uma necessidade indescritivel do teu beijo mortal e sentia-me ansiosa pelo teu toque.


Dentro de mim ainda continuava a mesma lutar de sempre: Corpo VS Consciência. Enquanto que o meu corpo respondia à tua chamada sedutora a minha consciência alarmava-me para não acreditar nas tuas promessas, só me irias magoar.


Enquanto que a minha mente ainda se debatia o meu corpo tomou controlo. Influenciaste-me com o teu olhar e estupidamente caminhei para os teus braços.


-Vem, querida, vem! - Sussurraste-me ao ouvido – Desta vez, sim, és completamente minha!


E com um beijo fugaz, selvagem, violento e ao mesmo tempo dócil e terno sugaste toda a vida que ainda residia em mim deixando-me completamente morta para o mundo e apenas viva nas memórias daqueles poucos que me amavam.


Desta maneira o meu único desejo foi cumprido: morri com o eterno toque dos lábios daquele que tanto amava.

A minha paixão foi consumida assim como o meu corpo naquele mar de chamas.


-Agora sou tua. - Sorri-lhe.



Afinal, o quão mau poderia ser o Inferno se podia partilhar a Eternidade com aquele que tanto amava: o próprio Diabo ?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Qero mudar...

Sinto-me noutro mundo
Vagueando eternamente
Apenas num segundo
Passam-me mil coisas pela mente.
Penso em partir,
Fugir deste país,
Para saber sorrir
E ser feliz.
Qero saber viver
Sem sofrimento
E não qerer morrer
A todo o momento.

Mas o destino não consigo mudar
E terei de viver
Sem me qeixar...

Se tudo fosse como desejo
O mundo não seria assim,
Mas agora vejo
Que o mundo talvez esteja melhor sem mim!

Qero viver a vida
Como acho qe mereço
E ser qerida
Por aqeles qe conheço.
Qero deixar de ser invisivel
E significar algo para alguém.
Qero aprender a sorrir
E a amar outrém!

Mas nem tudo é como qero
E talvez seja melhor assim...
O meu maior desejo
É deixar de viver assim.

Feelings

Ás vezes sinto
Que esta vida é somente um labirinto.

Um barco sem rumo à espera de ancorar,
Mas apenas vejo aqela ilha e não qero lá voltar...

É a ilha qe me recorda o AMOR
E não vou voltar a sentir essa dor.

É aqele tipo de dor qe não vale a pena,
pois do AMOR fazemos uma cena,
cena de puro escândalo,
quando, na verdade, o AMOR não passa de um vândalo!

Não vale a pena chorar,
de nada nos vai adiantar.

Sentimos qe o mundo está a acabar,
mas não passa de uma ilusão.

E a ilha ? É só uma má recordação.

Aqilo qe o coração sente
é diferente do qe a mente pensa.

Mas, supostamente, o coração não mente,
apesar de já ter enganado muita gente.

A desilusão
de um AMOR verdadeiro, perdido
queimado pelas chamas do Destino.
Enamorado, pela magia
que transformava a tristeza em alegria...

Mas no final, tudo se resume a cinzas!
Momentos de pura paixão perdidos para sempre
Apagaram-se com aqela Luz
qe iria brilhar eternamente.

Mas ninguem acredita
qe o AMOR é imaginação.
É um verso de um poeta
Com demasiada ambição.
Poeta q nao admite
qe este sentimento é ilusão.

Chegou ao fim ...

Não te quero obrigar a nada,
não quero impedir a tua Felicidade.
Só queria ser amada
mas ter a minha Liberdade.
Queria sentir o teu perfume,
E amar-te até ao fim.
Mas por causa do teu Ciúme,
tudo Acabou para mim!

Chegou a hora
de viver a minha vida!
Já decidi, vou embora.
Não serei a tua "querida"!

Acabei com a Sonhadora
Que vivia em mim.
Aprendi com os meus Erros:
Chegou ao fim!

Quis acreditar
que ficarias melhor,
e como sempre, acabaste por não mudar.

Chegou o momento de enfrentar a Realidade
E quem eu era
nem me deixa Saudade.

Já chega, Acabou!
Está na hora de Sorrir!

Já chega, Acabou!
Está na hora de Partir!



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