Sento-me debaixo daquele maravilhoso luar, no baloiço da varanda com uma manta sobre as pernas, um copo de água na mesa, um diário em branco e a caneta do Vô.
Tento escrever mas nada saí. Sinto-me bloqueada, frustrada e deprimida por não conseguir escrever. Onde se encontrava o suposto talento que corria nas minhas veias ? Onde estava o meu traço de escritora? Onde estava a minha criatividade ? Tudo desaparecera no dia em que ele me deixara… O meu talento, a minha felicidade, o meu sorriso, as nossas estrelas e a nossa tão maravilhosa Lua desapareceram no dia em que a lágrima caiu e o mundo desabou à minha volta.
“Morri no dia em que tudo começou.”escrevi. Parei e observei a nossa Lua.
“No dia em que te conheci foi o dia em que o mundo parou de se mover.”recomecei…
Pouco a pouco, escrevi a primeira carta. A tua primeira carta.
Quando a acabei as lágrimas escorriam e os soluços tornavam-se cada vez maiores. Sentia-me desesperada e desamparada no mundo sem a tua presença e apetecia-me morrer cada vez que pensava nos nossos momentos de pura felicidade.
- Margarida, oh Margarida? Onde estás, minha filha ? - ouvia minha mãe chamar, mas não me conseguia mover nem sequer conseguia falar. As lágrimas não paravam e eu não conseguia sequer respirar.
- Mar , o que se passa ? Por que choras minha filha ? Oh meu Deus, o que se passa, querida ?
- Mãe… Oh mãe! Minha mãe, eu quero… não ! Eu preciso tanto! Oh se preciso ! Preciso tanto dele ! Ele faz-me tanta falta! Mãe… - as lágrimas não paravam e o ar teimava em ficar preso na garganta, não me deixando respirar.
- Minha filha tem calma , vá ! Anda, vem te deitar. Eu hoje deito-me a teu lado. Vá, respira, querida.
- Espera - respirei fundo - primeiro quero fazer algo.
Fui buscar uma garrafa de vidro na qual coloquei a tua carta. Entrei pelo mar. Parei para sentir a brisa e respirar um pouco aquele ar que me cheirava ao meu tão querido Príncipe. Desejei às estrelas que lesses a carta e pedi à nossa Lua que respondesses, de alguma forma, de alguma maneira. Ganhei força e coragem e atirei a primeira de muitas cartas ao nosso Mar.

Oii adorei o blog
ResponderEliminarBjs e entra no meu, por favor.