Sinto-me adormecida...
Olho em volta da sala.
A sala está repleta e no entanto nunca me senti tão sozinha. Apetece-me chorar desalmadamente e gritar sem fim mas a voz não saí e sou invisivel perante eles.
Ignorada, rejeitada, é assim que me sinto.
Olho para todos aqueles rostos angelicais, todos eles atentos naquela janela. Pergunto-me o que se passará lá fora...
Avanço para a janela e de repente sinto-me a cair profundamente num abismo.
Tic, Tac, Tic, Tac, o tempo passa e eu continuo a cair num precepicio sem fim …
Acordo sobressaltada e olho em volta. Não sei onde estou, não sei o que faço aqui nem sei quem sou. Sinto-me completamente perdida naquele lugar demasiado reluzente. Não, não era a minha casa!Era somente uma versão banal do meu Céu.
Sinto uma lágrima a escorrer pela minha face.
Uma lágrima preta devido ao rímel, pressupus. Mas as lágrimas continuam a cair e de pretas passam a azuis, rosa, verdes, roxas...até se tornarem completamente vermelhas ao tocar naquele chão demasiado branco.
Lágrima após lágrima o chão vai-se transformando lentamente numa poça de sangue.
Um pequeno barulho capta a minha atenção, assustando-me. Olho à volta para tentar perceber o que se passa e vejo-te.
Vejo-te especado a olhar para mim com toda a tua perfeição. Majestoso como um principe, completamente vestido de preto, como é usual, com os teus olhos doces a chamarem por mim.
-Vem, eu estou aqui para ti. - Me dizes – Vem, eu protejo-te.
Todo o meu corpo te desejava. Senti-me a abandonar o chão e a levantar-me lentamente, enquanto que os meus joelhos tremiam de receio e os meus lábios de desejo.
Toda eu te desejava completamente. Sentia uma necessidade indescritivel do teu beijo mortal e sentia-me ansiosa pelo teu toque.
Dentro de mim ainda continuava a mesma lutar de sempre: Corpo VS Consciência. Enquanto que o meu corpo respondia à tua chamada sedutora a minha consciência alarmava-me para não acreditar nas tuas promessas, só me irias magoar.
Enquanto que a minha mente ainda se debatia o meu corpo tomou controlo. Influenciaste-me com o teu olhar e estupidamente caminhei para os teus braços.
-Vem, querida, vem! - Sussurraste-me ao ouvido – Desta vez, sim, és completamente minha!
E com um beijo fugaz, selvagem, violento e ao mesmo tempo dócil e terno sugaste toda a vida que ainda residia em mim deixando-me completamente morta para o mundo e apenas viva nas memórias daqueles poucos que me amavam.
Desta maneira o meu único desejo foi cumprido: morri com o eterno toque dos lábios daquele que tanto amava.
A minha paixão foi consumida assim como o meu corpo naquele mar de chamas.
-Agora sou tua. - Sorri-lhe.
Afinal, o quão mau poderia ser o Inferno se podia partilhar a Eternidade com aquele que tanto amava: o próprio Diabo ?